quinta-feira, janeiro 13, 2005

O Puzzle

Era e seria por mais alguns anos, criança, quando por alturas de um aniversário, tive como prenda, um puzzle! Recordo-me como se fosse hoje. Por experiência posterior, dos muitos que fui adquirindo ao longo da minha adolescência, sei agora que aquele era dos mais complicados. Daqueles cuja imagem final, era somente obtida, após a feitura do dito. Sem o habitual apoio gráfico. Pus mãos à obra. Não foi fácil confesso. Mas difícil foi chegar ao fim e ver que faltava uma peça. E essencial. A imagem era pastoral. Representava uma cena na montanha. Montes verdes, alguns cães malhados e crianças a brincar. Tudo normal, não fossem as feições dos miúdos. Todos em uníssono olhavam num misto de assombração e curiosidade para a criança do centro da imagem. Exactamente aquela, cuja omissão da peça do puzzle, não me deixava ver a face. Estranhei... Voltei a procurar o maldito pedaço de imagem que faltava, mas nada. Percebia que aquela criança, fundamental no argumento da gravura, levava as mãos, também não visíveis, ao nível da cara, mas nada mais para além disso.
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