Pespectiva para uma Morte pt.4
O pequeno-almoço é para mim a refeição mais importante do dia. Gosto de o tomar com calma, relaxado, nem que para isso tenha de acordar um pouco mais cedo. Hoje, não foi excepção. Após o duche preparei vagarosamente os meus flocos da Kellogs, liguei a telefonia e como de costume, como se de um ritual tratasse, encostei-me ao parapeito da solarenga janela, a observar o acordar da cidade, levando de quando em vez colheradas semi-cheias à boca. No entanto, hoje algo quebrara esta gostosa rotina. A rádio não passara a música habitual. Aliás, não passara música alguma. Hoje debatia-se algo. E num tom grave. Pousei a tigela da Habitat na mesa e subi o volume. Um porta-voz da PSP falava cauteloso. Alertava os cidadãos, no sentido de evitarem sair de suas casas, sozinhos, a partir das 22 horas. Por causa dos crimes. Os crimes que nos últimos meses alteraram hábitos desta, anteriormente, pacata cidade. Os crimes que tomaram de assalto os media, que, já há algumas semanas, não regateavam nos mais macabros adjectivos, o serial killer, que matara de forma selvática e indiscriminada, as suas, até à data, 11 vítimas.
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Desliguei a rádio, peguei na tigela da Habitat e não fiz naturalmente caso.
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Abri os olhos.
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Desliguei a rádio, peguei na tigela da Habitat e não fiz naturalmente caso.
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Abri os olhos.
Com dificuldade, dentro da mala daquele carro, que a cada segundo me parecia mais pequena, sufocante, consegui vislumbrar nas centenas de recortes espalhados, que as autoridades não possuíam a menor pista para identificar o psicopata. Seria este cenário onde me encontrava agora, suficientemente válido para ser considerado uma pista? Engoli a custo.
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