quarta-feira, janeiro 19, 2005

O Puzzle pt.2

Durante anos me questionei o que faria com que os miúdos da gravura olhassem daquele modo para o “miúdo sem rosto”!? Seria ele, deserdado pela Natureza, infeliz portador de um fácies asqueroso? Um aspecto hediondo? Ou por outro lado, lembro-me de pensar, estaria a chorar? Sim, podia ser isso. Podia ser dor. E assim seria angústia o que os miúdos da imagem carregavam no olhar. Impotentes por não poderem ajudar. Convenci-me. Era isso! Só podia! Dor. Angústia. Dor. Angústia. Dor. Culpa! Culpa? Estremeci. Sim, era de ponderar também. Malditos! Podia ser realmente a Culpa que os afligia. Não é novidade o quão as crianças podem ser cruéis. Aproximei o mais que podia o olhar da gravura. A ilusão de tranquilidade desvanecera-se. Senti pena do miúdo sem rosto. Do miúdo que levava as mãos à cara que eu não via mas que era alvo de chacota das restantes crianças. Alguns sorriam. De maldade imaginei. Malvados. De súbito algo houve algo que me chamou a atenção. Algo que sempre lá esteve mas que a minha imberbe e superficial análise não deixara ver. Algo vivo. Algo bom.

.....