sexta-feira, junho 24, 2005

Colheita Sonora 2005 (1º Semestre)

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Apesar de estar em plena fase de mudanças (algumas bem radicais) na minha vida, há uma coisa que nunca negligencio e que é a musica e a paixão que nutro por ela. Este ano de 2005, apesar de ir apenas pela metade, já me deu a ouvir muita coisa boa, outra nem por isso, mas para que não me chamem faccioso, e para que não me acusem de ouvir somente os fantásticos DD, deixo-vos uma pequena lista, ordenada por preferencia, de algumas descobertas, ou noutros casos, de alguns regressos ás edições discográficas, neste primeiro semestre de 2005.

Bloc Party: Silent Alarm
Hard-Fi: Stars of CCTV
Old Jerusalem: Twice the humbling sun
Editors: The Black Room
Billy Corgan: The future embrace
Jens Lekman: When I said I wanted to be your dog
Thirteen Senses: The invitation
The Tears: Here comes the tears
The Departure: Dirty words
Hot Hot Heat: Elevator
Maximo Park: A certain trigger
Kaiser Chiefs: Employment
Rufus Wainwright: Want Two
Josh Rouse: Nashville
M83: Before the dawn heals us
Timo Maas: Pictures
Coldplay: X&Y
Doves: Some Cities
Patrick Wolf: Wind in the wires
The Arcade Fire: Funeral
The Bravery: The Bravery
Gorillaz: Demon Days
The Fiery Furnaces: The Fiery Furnaces EP
The Go-Betweens: Oceans apart
Hood: Outside Closer
Vitalic: Ok Cowboy
Oasis: Don’t Believe the Truth
The Dears: No cities left
The House Of Love: Days run away
New Order: Waiting for the sirens call
Starlux: I've been there
Peter Murphy: Unshattered
Garbage: Bleed Like Me
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sexta-feira, junho 17, 2005

Resposta ao Rui Meloso

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Veloso, Meloso, Veloso........ Como estás velho, pá!
Mas, pior que isso, como embruteceste com o passar dos anos!
A entrevista que deste ao Independente revela a amargura com que vives e mostra como o excremento que o “Fininho” guardava na algibeira te inundou a tola. Já nem sabes quem és, pois não?
O pai do “rock” português!
Ups, utilizei uma palavra estrangeira neste texto. Espero que me perdoes e desde já te prometo que de seguida me vou penitenciar, fazendo um “download”…...é pá, outra vez…....vou descarregar, assim é que é, da “Internet”......ora bolas……...da rede global, o teu iconográfico tema de 1980 “A rapariguinha do Centro Comercial”. Mas voltando atrás, tu, o pai do “rochedo” português, arreaste muito cedo o teu “Ar de Calhau” (titulo deveras bonito e identificativo com o cromo que eras – sim porque de calhau a burgesso vai uma grande distancia - 25 anos aproximadamente) e recolheste um sucesso aparatoso para a época. Os portugueses, na sua maioria, sempre te acarinharam. O próprio estado (que tanto criticas) na figura da Comissão para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses te encomendou um trabalho (o Auto da Pimenta – um autentico mono). Os teus discos sempre venderam bem, fizeste uns patacos jeitosos, mas mesmo assim andas amargurado. Que se passa contigo ?
Passo a citar-te: ”Eles sentam-se lado a lado, comem todos juntos, são amigos, bebem copos, se calhar até vão às meninas …” Por momentos até julguei que falavas de ti, do Vitorino, do Palma e do resto do gang.
E quando o repórter te pergunta: “ Somos (os portugueses) calões?” tu respondes “Sim, porque não somos bem orientados!” Eu não faria melhor, Rui! Sacode a água do capote como qualquer português que se preze! “O exemplo tem de vir de cima. Quando há pessoas, lá em cima que não pagam impostos e que acumulam pensões…” eu pensei com satisfação; se este gajo fala assim é porque já liquidou, finalmente, à Segurança Social a dívida respeitante ao Restaurante D. Tonho na Ribeira do Porto. Também, concluí, pelos preços lá praticados que só se fosses camelo e tivesses gasto tudo na casa em Sintra é que ainda não terias a situação regularizada.
Mas depois vem a parte surreal da entrevista. Tu atiras-te enfezado, de olhos em sangue e de cuspo branco nas beiças aos Duran Duran! Mas porque carga de água? “São uma das piores bandas de sempre, nunca fizeram uma música de jeito e agora são glorificados na nossa imprensa. Está tudo maluco! Os Duran Duran? Os Spandau Ballet ainda vá. Eram melhorzinhos, o gajo cantava bem e não era um parvalhão. Agora os Duran Duran?”
Assombroso ó Veloso. Deixa-me adivinhar, foi o Luís Jardim quem te contou estas fábulas? Nesta altura tive a certeza que estavas bêbedo. Bêbedo e desorientado. Uma comparação como a que fizeste só tem equivalência se algum outro alcoólatra como tu viesse para a imprensa dizer que o grupo João C. Bom ou mesmo os Café Lusitano eram “melhorzinhos” que o Rui Veloso. Por muito que eu quisesse admitir isso, o meu conhecimento musical não o permitiria. Mas uma coisa é certa, daquilo que eu conheço do Orlando dos Café Lusitano (anteriormente nos Kingfisher’s band) tu ao lado dele és um boçal.
Mas não deixemos cair ainda o tema “Duran Duran”. Imaginei por momentos explicar ao vocalista Simon Le Bon que o Rui Veloso, um musico português, que canta em português num registo bastante português como é o “blues” (azuis??), enche recintos, outeiros, largos por todo o País desde Moimenta da Beira a Fiães, de Montalegre a Loulé, de Castelo de Vide à Foz do Arelho mas não só. Que já tocou no estádio Alvalade como suporte ao incontornável monstro sagrado que é o Paul Simon (ironia), que já improvisou em palco com o B.B. King (numa altura em que este tentava recolher alguns frutos proporcionados pela participação no Rattle & Hum dos U2) e que por variadas vezes tocou no estrangeiro para a nossa comunidade de emigrantes que tanto aplaude Rui Veloso hoje, como no dia seguinte já gritam pelo Iran Costa (outro cantor, assim como tu, de referencia da musica cantada em português). Imaginei o olhar de admiração do vocalista dos Duran Duran quase em jeito de vénia ao ouvir falar de temas emblemáticos como “Chico Fininho”, “A minha namorada até fala estrangeiro”, "A Paixão (segundo Nicolau da Viola)", a já citada “Rapariguinha do Shopping”, aquela do trolha da Areosa e o expoente máximo que é o hino “Um café e um bagaço”. Imaginei o Simon le Bon cabisbaixo a pensar na medíocre carreira dos Duran Duran com mais de 70 milhões de discos vendidos, rendido às evidencias de que o monstro sagrado Rui Veloso tem toda a moral do Mundo em considera-lo “parvalhão”.
Rui, cá para nós, patético não? Fizeste figura de urso, escusadamente. Um conselho, deixa que seja, também, o Carlos Tê a responder ás questões durante as entrevistas. Quem sabe se até não vendes mais um disquito a alguma sopeirita tosca !Mas relaxa que eu sei o que te mói a alma, rapaz. Aquilo que não te deixa dormir sem entornares meia garrafa de whisky. É a Casa da Musica do Porto não é meu caro? Malditos sejam por não te convidarem para lá ires tocar! E tu até tens um repertório acústico tão jeitoso para aquele espaço, canudo. Confia em mim. Vou fazer todos os possíveis para que possas ir lá cantarolar as tuas musiquitas e com sorte até te deixam levar a harmónica. Ou então faz como costumas fazer. Mete uma cunha.
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Elliot
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(para ti, Sr Elliot)
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Entrevista do Rui Veloso ao Independente

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O INDEPENDENTE .............................Quinta 9 de Junho de 2005

(excerto de uma entrevista concedida por Rui Veloso a este semanário)


Vinte cinco anos depois, o que é feito do Chico Fininho, o “freak” que andava “com merda na algibeira”. Morreu de “overdose”, é arrumador de carros ou transformou-se num “yuppie”?
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Não sei...Alguns dos Chicos Fininhos que havia no Porto e em Lisboa infelizmente já morreram. Talvez outros sejam arrumadores de carros e um ou outro talvez tenha um emprego porreiro. Mas, em geral, aqueles que conheci não se deram muito bem.
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Ainda existem Chicos Fininhos? O que trariam hoje na algibeira?
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Uma pastilha de “ecstasy” e eventualmente uma pistola.

E o que aconteceu às rapariguinhas do “shopping”. Quem são elas hoje?
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Foram substituídas pelas imigrantes brasileiras e ucranianas. Essa letra retrata o processo de ascensão social no pós-25 de Abril. Nos últimos anos isto mudou muito.
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A rapariguinha do “shopping” do “Ar de Rock” trazia uma revista de bordados debaixo do braço... Hoje que revista seria?
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Talvez a “Cosmopolitan”, ou outra desse género que por aí há.
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Evoluímos pouco nesse aspecto?
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Evoluímos pouco em todos os aspectos. Passaram 30 anos desde o 25 de Abril e há muito que ainda não foi feito. Continuamos a cortar na cultura assim que há problemas. O fado é visto quase como música erudita quando não o é. É uma expressão popular de Lisboa. Uma expressão como os “blues” ou o “flamenco”. Até no fado nos pomos em bicos dos pés e pensamos que somos mais do que aquilo que somos. Portugal é um país periférico.
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Portugal é um país de inimputáveis?
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De certa forma, sim. O exemplo tem de vir de cima. Quando há pessoas, lá em cima, que não pagam impostos e que acumulam pensões, ao mesmo tempo que pedem sacrifícios aos outros, é natural que o povo diga: “Ai sim? Então espera lá.” Há muito tempo que tenho esperança nos vários governos e acabo desiludido. Não percebo como é que 30 anos depois do 25 de Abril ainda não houve um pacto de regime para as questões fundamentais. Eles sentam-se lado a lado, comem todos juntos, são amigos, bebem copos, se calhar até vão às meninas juntos...
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Somos calões?
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Sim, porque não somos bem orientados. Não há liderança.
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Falta-nos sensibilidade cultural?
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Falta-nos cultura. Um dos enormes erros deste país é ter uma vergonha enorme da sua cultura popular, que deve ser a base de sustentação de todas as outras manifestações.
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Faz sentido, por exemplo, que o preço dos discos inclua 21 por cento de IVA enquanto o dos livros tem apenas cinco?
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Isso acontece porque existe a ideia de que ler é uma actividade mais nobre. Mas não me parece que tenha grande lógica um mau livro ter cinco por cento de IVA e um bom disco 21.
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Nos últimos anos foi um dos principais defensores das quotas para a música portuguesa nas rádios. A necessidade de um limite mínimo não é sinal de que algo está mal? Faltam programas de autor?
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Claro que faltam. Foi com os programas de autor que me fui interessando pela música. Hoje não há nada. Só sei do que vai acontecendo porque tenho curiosidade e assino revistas estrangeiras.As novidades não chegam cá. E não me parece que a política das rádios de passar música dos anos 80, como os Duran Duran, seja a mais correcta. Aliás, o que se passa com os Duran Duran é extraordinário. São uma das piores bandas de sempre, nunca fizeram uma música de jeito e agora são glorificados na nossa imprensa. Está tudo maluco! Os Duran Duran? Os Spandau Ballet ainda vá. Eram melhorzinhos, o gajo cantava bem e não era um parvalhão.Agora os Duran Duran?
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Isso acontece porquê?
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São modas.
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quinta-feira, junho 16, 2005

Chegada

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Cheguei.
Quase 3 meses passaram desde que me despedi e embarquei nesta viagem espacial.
A plataforma orbital que me acolhe agora, olha-me com curiosidade. Um novo Astronauta, cogitam. Sinto-me observado enquanto tomo o pequeno-almoço de manha. Cada descoberta que fazem ajuda-os a conhecerem-me melhor, acham. Bebo o café de um trago e miro-os a disfarçarem os olhares. Sorrio para dentro. Tenho saudades do Luís, da Paulita, da Marisa, da Rute, da Graça, do Rogério, do Filipe, do Joaquim, do Quintas, da Cátia, da Fernanda, da Anabela, do Jorge, do Sequeira, do Carlos, do António, do Hugo T., da Sarita e, claro, da “minha” Sandra. Dos verdadeiros astronautas.
Ainda não me habituei completamente à nova rotina, à nova temperatura mas algo me diz que me vou adaptar bastante bem a esta nova Plataforma Orbital mais a Norte. Aquela que há muito ansiava mas que certos e determinados personagens menores me negavam.
Mas isso faz parte do passado. Olho com fervor para o futuro e embarco confiante nestes primeiros dias do resto da minha vida! Eu, Astronauta Elliot, pousei novamente aqui no blog e prometo manter este meu/vosso diário digital o mais actualizado possível.