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Veloso, Meloso, Veloso........ Como estás velho, pá!
Mas, pior que isso, como embruteceste com o passar dos anos!
A entrevista que deste ao Independente revela a amargura com que vives e mostra como o excremento que o “Fininho” guardava na algibeira te inundou a tola. Já nem sabes quem és, pois não?
O pai do “rock” português!
Ups, utilizei uma palavra estrangeira neste texto. Espero que me perdoes e desde já te prometo que de seguida me vou penitenciar, fazendo um “download”…...é pá, outra vez…....vou descarregar, assim é que é, da “Internet”......ora bolas……...da rede global, o teu iconográfico tema de 1980 “A rapariguinha do Centro Comercial”. Mas voltando atrás, tu, o pai do “rochedo” português, arreaste muito cedo o teu “Ar de Calhau” (titulo deveras bonito e identificativo com o cromo que eras – sim porque de calhau a burgesso vai uma grande distancia - 25 anos aproximadamente) e recolheste um sucesso aparatoso para a época. Os portugueses, na sua maioria, sempre te acarinharam. O próprio estado (que tanto criticas) na figura da Comissão para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses te encomendou um trabalho (o Auto da Pimenta – um autentico mono). Os teus discos sempre venderam bem, fizeste uns patacos jeitosos, mas mesmo assim andas amargurado. Que se passa contigo ?
Passo a citar-te: ”Eles sentam-se lado a lado, comem todos juntos, são amigos, bebem copos, se calhar até vão às meninas …” Por momentos até julguei que falavas de ti, do Vitorino, do Palma e do resto do gang.
E quando o repórter te pergunta: “ Somos (os portugueses) calões?” tu respondes “Sim, porque não somos bem orientados!” Eu não faria melhor, Rui! Sacode a água do capote como qualquer português que se preze! “O exemplo tem de vir de cima. Quando há pessoas, lá em cima que não pagam impostos e que acumulam pensões…” eu pensei com satisfação; se este gajo fala assim é porque já liquidou, finalmente, à Segurança Social a dívida respeitante ao Restaurante D. Tonho na Ribeira do Porto. Também, concluí, pelos preços lá praticados que só se fosses camelo e tivesses gasto tudo na casa em Sintra é que ainda não terias a situação regularizada.
Mas depois vem a parte surreal da entrevista. Tu atiras-te enfezado, de olhos em sangue e de cuspo branco nas beiças aos Duran Duran! Mas porque carga de água? “São uma das piores bandas de sempre, nunca fizeram uma música de jeito e agora são glorificados na nossa imprensa. Está tudo maluco! Os Duran Duran? Os Spandau Ballet ainda vá. Eram melhorzinhos, o gajo cantava bem e não era um parvalhão. Agora os Duran Duran?”
Assombroso ó Veloso. Deixa-me adivinhar, foi o Luís Jardim quem te contou estas fábulas? Nesta altura tive a certeza que estavas bêbedo. Bêbedo e desorientado. Uma comparação como a que fizeste só tem equivalência se algum outro alcoólatra como tu viesse para a imprensa dizer que o grupo João C. Bom ou mesmo os Café Lusitano eram “melhorzinhos” que o Rui Veloso. Por muito que eu quisesse admitir isso, o meu conhecimento musical não o permitiria. Mas uma coisa é certa, daquilo que eu conheço do Orlando dos Café Lusitano (anteriormente nos Kingfisher’s band) tu ao lado dele és um boçal.
Mas não deixemos cair ainda o tema “Duran Duran”. Imaginei por momentos explicar ao vocalista Simon Le Bon que o Rui Veloso, um musico português, que canta em português num registo bastante português como é o “blues” (azuis??), enche recintos, outeiros, largos por todo o País desde Moimenta da Beira a Fiães, de Montalegre a Loulé, de Castelo de Vide à Foz do Arelho mas não só. Que já tocou no estádio Alvalade como suporte ao incontornável monstro sagrado que é o Paul Simon (ironia), que já improvisou em palco com o B.B. King (numa altura em que este tentava recolher alguns frutos proporcionados pela participação no Rattle & Hum dos U2) e que por variadas vezes tocou no estrangeiro para a nossa comunidade de emigrantes que tanto aplaude Rui Veloso hoje, como no dia seguinte já gritam pelo Iran Costa (outro cantor, assim como tu, de referencia da musica cantada em português). Imaginei o olhar de admiração do vocalista dos Duran Duran quase em jeito de vénia ao ouvir falar de temas emblemáticos como “Chico Fininho”, “A minha namorada até fala estrangeiro”, "A Paixão (segundo Nicolau da Viola)", a já citada “Rapariguinha do Shopping”, aquela do trolha da Areosa e o expoente máximo que é o hino “Um café e um bagaço”. Imaginei o Simon le Bon cabisbaixo a pensar na medíocre carreira dos Duran Duran com mais de 70 milhões de discos vendidos, rendido às evidencias de que o monstro sagrado Rui Veloso tem toda a moral do Mundo em considera-lo “parvalhão”.
Rui, cá para nós, patético não? Fizeste figura de urso, escusadamente. Um conselho, deixa que seja, também, o Carlos Tê a responder ás questões durante as entrevistas. Quem sabe se até não vendes mais um disquito a alguma sopeirita tosca !Mas relaxa que eu sei o que te mói a alma, rapaz. Aquilo que não te deixa dormir sem entornares meia garrafa de whisky. É a Casa da Musica do Porto não é meu caro? Malditos sejam por não te convidarem para lá ires tocar! E tu até tens um repertório acústico tão jeitoso para aquele espaço, canudo. Confia em mim. Vou fazer todos os possíveis para que possas ir lá cantarolar as tuas musiquitas e com sorte até te deixam levar a harmónica. Ou então faz como costumas fazer. Mete uma cunha.
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Elliot
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(para ti, Sr Elliot)
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